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António Lobo Antunes e a guerra
colonial em África, tópico fundamental da literatura portuguesa nos
últimos 50 anos, continua actual na obra do escritor, como está
patente no último romance, Comissão das Lágrimas. E se esta guerra
constituísse, além de atroz experiência humana e existencial, um
vector basilar na composição do texto antuniano, imprimindo na
expressão literária a perdurabilidade do risco, a ulcerada exposição
à perda de si, dos outros, do sentido de tudo? Este estudo, o
segundo publicado nesta colecção, percorre tais caminhos, a partir
da figuração de Judas, que, entre Marte e a Morte, passando por
Narciso, e um rapaz chamado António, enfrenta medos, anseios,
valores, ideologias, e o risco de traçar no papel o sofrimento de
irremediáveis contradições. Livro que prende o leitor, tanto quanto
o ensina, reelabora uma tese de doutoramento na Univ. do Minho, e é
seu autor Norberto do Vale Cardoso, professor do Ensino Secundário,
actualmente na Escola Profissional de Chaves.
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«Inclui estudos dos especialistas reunidos em Junho de 2009 no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa para estudarem a arte do romance na obra deste escritor».
- pode ser encomendado
aqui. Trata-se do primeiro
volume da colecção António Lobo Antunes - Ensaio. Conjunto de
textos de estudiosos vários: José Gil, Paula Morão, Ana Paula Arnaut, Agripina
Carriço Vieira, Eunice Cabral, Inès Cazalas e Catherine Vaz Warrot.
Volume organizado por Felipe Cammaert. Trecho da nota introdutória: «Por
ocasião dos trinta anos da publicação do romance Memória de Elefante
(1979), o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa organizou, a 30 de Junho de 2009, a Jornada
António Lobo Antunes: a Arte do Romance. Nessa ocasião, um conjunto
de oito investigadores, portugueses e internacionais, aceitou
produzir reflexão sobre a obra romanesca de Lobo Antunes, num evento
que contou, na sessão de encerramento, com a presença do autor, em
diálogo ao vivo com Eduardo Lourenço».
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“Um
doloroso canto de uma mulher torturada” foi o ponto de partida para
Comissão das Lágrimas, o novo livro de António Lobo Antunes. A mulher
torturada foi Elvira (conhecida por Virinha), comandante do batalhão
feminino do MPLA, presa, torturada e morta na sequência dos terríveis
acontecimentos de Maio de 1977 em Angola.
Mas este é apenas um episódio num livro denso e sombrio sobre Angola
depois da independência. António Lobo Antunes não quis fazer um livro
documental ou uma reportagem “verídica” sobre o que se passou em Angola,
antes usou a sua sensibilidade e o espantoso poder evocativo da sua
escrita para falar sobre a culpa, a vingança, a inocência perdida.
ler opiniões de leitura
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«Este quarto livro de crónicas de António Lobo Antunes é uma
selecção de 79 crónicas publicadas na revista Visão. Nestes pequenos
textos, António Lobo Antunes evoca lugares, personagens, retratos do
quotidiano e memórias de infância. Não morreste na cama mas morreste
entre lençóis de metal horrivelmente amachucados na auto-estrada de
Cascais para Lisboa e a gente ali, diante do teu caixão, tão
tristes. Começa assim a quarta crónica deste livro e é um bom
exemplo da intensidade dramática de alguns textos que sendo muito
mais acessíveis ao público do que os seus romances não descuram uma
forte componente literária.»
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últimas opiniões de leitura
publicadas (por título na ordem cronológica ascendente):
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Fernando
Martins: "Se for mulher, metes-lhe Cristina” (p. 86), dizia
a Simone o Senhor Figueiredo, “dono da fábrica, da modista, do
escritório” (p. 51), na realidade dono do cabaret. “Simone, apesar
de chamar-se Alice” (p. 19), mãe de Cristina, “viera de barco para
dançar num teatro e não era teatro que lhe chamavam” (p. 12). O pai
putativo (“diz-se que o patrão pai da filha, diz-se que o marido
padre”, p. 90), preto (sempre este epíteto – estigma e farpa), “foi
padre, não era padre já” (p. 12). O avô cego que “tacteia o mundo
(…) convencido que as mãos, ao moldarem o ar, fabricam parentes” (p.
50) e o tio que “separa o corpo” da sobrinha, com a advertência “Nem
pio” (p. 89)."
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Manuel Cardoso: "É assim o escrever e o sentir de
António Lobo Antunes, frases que crescem como o pensamento que se
encadeia noutro pensamento, porque o pensamento não tem pontos
parágrafo nem sofre de acordos ortográficos. Assim uma escrita
corrediça como a vida, assim às vezes partida ao meio como as
almas. O escrever de António é como o escrever do pensamento na
memória. O que pensamos é por vezes apenas o que persistiu, deitamos
fora os sorrisos, ficam as dores, as moinhas que persistem como o
joelho de Simone ou Alice, o joelho que não pára de doer, que incha
como as dores da alma."
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Simão Fonseca: "Ao
quarto livro, mais setenta e nove crónicas. António Lobo Antunes
escreve com regularidade para a revista Visão desde há uns anos para
cá, onde são publicados textos que se destacam pela sua melancolia
contrastante com o humor do autor, e a D. Quixote encarrega-se
depois de fazer a sua compilação, como acontece neste agradável
Quarto Livro de Crónicas – o primeiro data de 1998. Ao largo destas
quase oitenta crónicas, António Lobo Antunes viaja pelo seu passado,
recuperando as memórias da infância ..."
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Manuel
Cardoso: "Na cama do hospital, solitário entre dores e
lembranças, António Antunes, ou Antoninho, alimenta com o corpo um
“ouriço”. Cancro, dores, memórias, um mundo que se desmorona mas, ao
mesmo tempo, um mundo inteiro de recordações que vagueiam na sua
mente como a mosca que poisa no lavatório, como um pingo no sapato
ou o avô que colocava a mão em concha na orelha para ouvir. Grandes
dores, ainda bem que as tem, pensa Antoninho, ou o Senhor Antunes, a
quem os médicos e enfermeiros adiam a morte... "
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Dilma
Barrozo: "É um livro apaixonante em que a trajectória de
uma família é narrada pelas diferentes vozes de seus integrantes
(vivos ou falecidos). Essas vozes se alternam, se misturam, se
enroscam na narrativa, disputando espaço e combatendo durante todo o
texto como o fizeram ao longo de suas vidas. A mãe em seu leito de
morte, uma filha drogada, outra, a infeliz sobrevivente de dois
casamentos desfeitos, um filho homossexual discriminado, o outro
egocêntrico e ganancioso, o pai, (já falecido) frequentador assíduo
de mesas de jogos e mulheres e a filha falecida na juventude. Além
deles, membros oficiais da família, também narram a história a
empregada (que também pertence à família) e um filho bastardo."
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Justo
Navarro: "Perguntaram ao poeta Gabriel Ferrater se não lhe
parecia terrível a realidade, e Ferrater, que sabia do assunto,
respondeu imediatamente: "E a irrealidade é o quê?". António Lobo
Antunes escreveu O Arquipélago da Insónia para se entender com a
irrealidade, esse assunto terrível, tão solidário com a insónia, com
a vigília e os seus sonhos. Inventou um narrador que,
insignificante, ergue um mundo, uma quinta, uma casa, quartos,
móveis. De fotografias antigas retira uma mãe, um pai, os pais dos
pais, um irmão, as criadas, os caseiros de uma quinta, e as figuras
dos retratos começam a falar e a mover-se, espíritos nervosos de
carne."
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Ricardo
Salvalaio: "Com título inspirado numa citação do Evangelho
de São Lucas, “O Meu Nome é Legião” começa como um relatório de
polícia, descrevendo a vida de uma gang numa zona a que se chama
simplesmente Bairro e que pode fazer evocar qualquer bairro
periférico de uma grande cidade. Histórias se cruzam no pano de
fundo do Bairro e é normal - o autor mostra que aquilo que existe de
mais parecido com a salvação é esquecer tudo o que aconteceu e
pensar: «Não tenho medo de vocês, não tenho medo de nada»"
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Maria
Celeste Pereira: "O registo destas palavras é sempre
pesado, sofrido, frágil, visceral, humano... O próprio autor
intervém , por vezes, obrigando-as a expor-se ou então obrigando-as
a refugiarem-se no silêncio. O silêncio, o que não se diz, o que
apenas se vislumbra, o que se diz e se nega, o que nos deixa
dúvidas, é, incontestavelmente, uma parte crucial desta ficção. Esta
intervenção directa do autor, esta manipulação das personagens não
tem intenção de criar uma história ([...] Será mesmo um romance no
sentido tradicional do termo?)"
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Rui
Catalão: "Prosinhas. É assim que o autor classifica as suas
próprias crónicas. Pequenas, mas plenas de significado; simples, mas
capazes de encantar qualquer um. Num registo em muito diferente do
habitual estilo romanesco que patenteia, António Lobo Antunes
conta-nos alguns excertos da sua vida, desde as recordações de
elementos familiares tão importantes como o pai ou a mãe – aos quais
agradece por não o terem enchido “de amor e atenção, o que teria
matado em mim o artista” –, aos momentos vividos na guerra."
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Ieda
Magri: " Antunes, em Eu hei-de amar uma pedra, radicaliza
sua forma esquizofrénica de escrita dando voz a múltiplos narradores
que se revezam ao contar ao leitor os lampejos de uma história de
amor – e muitas de rancor – entre um homem e uma mulher maduros que
se encontram semanalmente numa hospedaria barata em Lisboa. Se digo
lampejos é porque, ao contrário do que possa parecer aos que não
leram Lobo Antunes ainda, Eu hei-de amar uma pedra não é a história
desse amor apenas."
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Raquel
Santos Pereira: "Rever as leituras acerca do mundo é uma
das possibilidades que a obra de António Lobo Antunes permite. Um
escritor de autenticidade literária, embora não inovadora, mas que
proporciona ao leitor sentir prazer em cada “verso absorvido”.
Deparando-se uma vez apenas com as narrativas antunianas não se
consegue fugir mais delas, assim como “não se foge de Angola”
(Antunes, 2003: 27). Pois não se consegue ignorar Lobo Antunes no
cenário literário da actual História mundial."
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Jason
Manuel Carreiro: "Neste estudo, problematiza-se a relação
entre a voz narrativa e a voz autoral na crónica “Receita para me
lerem”, de António Lobo Antunes, no intuito de discutir a função
estética de um texto literário compreendido como pura exterioridade
e as implicações de tal perspectiva na relação leitor – obra.
Palavras-chave: Autor; Narrador; Leitor; Estética; António Lobo
Antunes."
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Fabrício
Vieira: "Se fôssemos nos preocupar apenas com a “história”
deste livro, seria importante considerarmos que Antunes leu nos
jornais o caso de um travesti português que morreu e deixou um filho
de um casamento que teve antes de se transformar. Além disso, havia
seu jovem marido que foi encontrado morto na praia. Mas que importa
de fato saber isso? Está aí por acaso a chave para se penetrar nessa
obra? A força da obra de Lobo Antunes, aquilo que faz dela algo
excepcional e que aponta para sua permanência dentro da literatura,
está em outro lugar."
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Cristina
Robalo Cordeiro: "Este romance constrói-se em torno de uma
personagem feminina, Maria Clara, que ouvimos em excesso de palavras
fixadas quer em relatos confiados ao diário quer em monólogos
recebidos em escuta (quase) silenciosa de psiquiatra atento, numa
casa visitada pela degradação e onde parece esconder-se, num quarto
de sótão fechado à chave, o segredo do passado que é também o
mistério da família e o enigma da própria vida. A sua voz inquieta
navega em regimes temporais mais psicológicos do que cronológicos, e
lida com as coisas e com o mundo de forma marcadamente afectiva."
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Luiz
Guilherme de Beaurepaire: "Exortação aos Crocodilos é um
livro que não chega a ser uma viagem lisérgica, longe disso, mas é
contada de tal forma que beira o inconsciente, no qual pequenos
sentimentos, emoções, estados de espírito, loucuras humanas,
ausência de amor e incertezas estão presentes nessas vozes, vindas
da memória mais profunda de um mundo sufocante. Nos primeiros
capítulos o leitor anda num terreno minado por bombas e estilhaços.
É preciso seguir adiante, ir montando um quebra cabeça compostos de
imagens de infância, sabores, objectos de estimação, humilhações
quotidianas, procurando reconhecer a voz dos personagens..."
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Paulo
Afonso Ramos: "Desfolho cada página com uma ansiedade
crescente para que depressa possa chegar ao fim de cada crónica que
escreve. Quero receber cada mensagem ali deixada e satisfazer a
minha curiosidade em cada final. Deixo-me ir nas palavras do autor e
até consigo ver as imagens que desenha com as palavras. Sinto as
suas metáforas como se tivessem vida.Não paro. Nem a surpresa cabe
em mim, quando leio os passos dados pelo autor pelos mesmos sítios
pisados por mim. Sinto-o omnipresente. Sinto que pertence à vida que
vivi e que percorreu os mesmos lugares públicos que percorri e, na
semelhança, até descubro que gostamos do mesmo filme que, na época,
era cabeça de cartaz."
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Santiago Pérez Isasi: "Lobo
Antunes exige um leitor não apenas activo, mas também atento,
sensível e paciente, porque o que cria são mundos psicológicos e
simbólicos através dos quais é possível reconstruir os factos que os
provocaram. Neste caso, são quatro as personagens em cujas mentes
mergulhamos: uma família constituída por Isilda, a mãe, que resiste
isolada na Angola pós-descolonização, e os três irmãos, Rui,
Clarisse e Carlos, que regressam a uma Lisboa que já não lhes
pertence e que alimentam os seus ódios e ressentimentos mútuos"
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Luiz
Guilherme de Beaurepaire: "O Manual dos Inquisidores é uma
inquisição do passado sobre o presente obscuro. Esse presente que
padece com o peso da memória e sofre a debilidade quotidiana do
simples existir. A trama procura desenvolver uma saga familiar
fixada na ideia da casa, na figura do pai, o fantasma da mãe ausente
e as mudanças impostas pelo tempo. O livro fala sobre o fascismo em
dois momentos: antes e depois da Revolução dos Cravos, cuja narração
é feita por personagens que se sucedem e se alternam. É um romance
escrito pelos próprios personagens que se revezam em depoimentos e
comentários."
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Liliana
Costa: "O romance conta a saga de uma família da classe média
portuguesa: a narrativa estende-se por quatro gerações. Lobo Antunes
narra de forma fragmentada, com uma aparente incoerência ou
dificuldade formal, que reflecte a falta de fluidez e harmonia do
mundo interior das personagens. O tecido das frases, intercalando
diferentes épocas e cenários, resulta estranho e nebuloso no início
da leitura; o relato vai seguindo com saltos atrás no tempo,
enquanto repete elementos que giram sobre si de forma obsessiva. Aos
poucos, o leitor entra em sintonia com o proposto e familiariza-se
com as mudanças de ritmo"
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Maria
Celeste Pereira: "Considero-me bastante ignorante no que diz
respeito à obra de ALA sobretudo pelo muito que ainda me falta ler.
Contudo, mesmo considerando os erros de opinião que possa cometer
pela falha apontada (a qual estou a tentar colmatar lendo os livros
que não li e relendo outros que já li há demasiado tempo, procurando
fazê-lo numa lógica de cronologia de publicação), pareceu-me sentir
neste livro um ponto de viragem. Pareceu-me mais aproximado das
publicações mais recentes e, consequentemente, um pouco mais
distante da quase linearidade dos primeiros."
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Simão
Fonseca: "Tratado das Paixões da Alma é o primeiro romance da
trilogia apelidada de “ciclo de Lisboa”[...]. Este ciclo comporta a
infância e adolescência de António Lobo Antunes e a sua vida em
Benfica, Lisboa, recheada de lembranças dos seus amigos e da relação
que tinha com os seus familiares, acontecimentos que marcaram o
autor e que o mesmo nunca mais esqueceu. Homem, inicialmente assim
apresentado, é um indivíduo que pertence a uma organização
terrorista e que se encontra preso a prestar declarações perante o
“cavalheiro” e pelo Juiz de Instrução..."
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Antonio
Danise: "As naus viajam no nevoeiro de um inconsciente confuso,
atordoado por anos de guerra colonial inútil, da Angola independente
a um império já desaparecido, para uma Lixboa capital de um dos
países europeus mais pobres. Angola e as consequências da guerra
colonial mudaram a vida a Lobo Antunes, uma experiência como médico
na linha de combate em Luanda, no início dos anos setenta, entre
hospitais psiquiátricos e pessoas desesperadas: de uma parte os
angolanos, divididos em facções rivais, entusiasmados com a longa e
desejada independência finalmente conquistada"
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Liberto
Cruz: "Sem indicação do género literário (precaução ou
modernidade?) mas informados pelo editor de que se trata de
romances, estas ficções de António Lobo Antunes parecem ser do
agrado geral, dadas as edições já postas em circulação e as
traduções já feitas ou previstas em vários países. Tanto melhor:
ganha o Autor, ganha o editor, ganha a literatura portuguesa em
geral e ganha, evidentemente, o respectivo ou potencial leitor."
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Nuno
Martins: "Este livro, arranjando assim um ponto de
comparação é uma espécie de "Ulisses" do James Joyce. A acção
propriamente dita decorre durante uma noite, madrugada e respectiva
manhã em que num jantar de convívio de ex-combatentes da guerra
colonial que tinham combatido em Moçambique, um grupo homens, o
tenente - coronel (comandante do batalhão), um soldado, um alferes,
um tenente e um capitão, vão contar toda a sua vida desde o dia da
sua chegada da guerra até ao fim dessa manhã."
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Alexandre
Kovacs: "Sempre achei que os piores pesadelos não são aqueles
povoados de monstros e situações de terror, pois estes identificamos
logo de início como pesadelos; aqueles verdadeiramente terríveis são
os que reconhecemos como parte do nosso próprio quotidiano,
começando de mansinho e, pouco a pouco, nos envolvendo em uma malha
sufocante de espirais infinitas, uma sensação de afogamento em que
não percebemos se chegamos ao fundo ou à superfície."
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Alexandre
Kovacs: "Toda a acção do romance ocorre durante uma viagem de
carro com duração de um dia, do sul de Portugal, região do Algarve,
até Lisboa, mas o truque de António Lobo Antunes é justamente
multiplicar este tempo passando por várias fases da vida do
narrador. Os eventos são lembrados pelo solitário protagonista (o
próprio Lobo Antunes) misturando épocas e alternando entre a
primeira e terceira pessoa. Nesta passagem, ao final do primeiro
capítulo, ele deixa claro, em tom de autobiografia, o que podemos
esperar do romance"
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Sílvia
Frota: "Uma história triste, violenta, dura. Sobretudo real. Não
que a guerra pela libertação de Angola tenha sido assim. Não que se
trate de um registo fidedigno da história de uma nação. Não é dessa
realidade que falo. É da realidade humana. Os dramas, as tragédias,
as atrocidades são todos tratados num mesmo tom. Incorporam-se ao
dia a dia da tropa. Como acordar e tomar café. Banal. Trivial. A
força da narrativa de Lobo Antunes provoca impacto. Endurece e
enternece ao mesmo tempo. A história é narrada numa noite, num
encontro casual com uma mulher qualquer, num bar qualquer, vivendo
uma vida qualquer. E o leitor segue de Angola a Lisboa e vice-versa
sem se dar conta."
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Pedro
Tavares: "Este livro não se trata de um enredo em busca de uma
solução, mas sim de um homem em busca de um sentido. O psiquiatra
(irónico sem dúvida o seu emprego) é um homem profundamente
deprimido, recém-separado da mulher e das duas filhas, vivendo numa
Lisboa pós-fascista e com a Guerra do Ultramar bem presente na sua
memória. Tudo isso faz dele não só uma pessoa extremamente
observadora como alguém capaz de se afogar a si próprio num monte de
dúvidas existenciais ao questionar a realidade, a lucidez, o sentido
dos seus actos."
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última actualização: 11.12.2011 |
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